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Indonesia
Entrada diário 03

Indonésia além de Bali do Instagram

B

JANEIRO 2026

ali tornou-se um dos lugares mais fotografados do mundo.

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Piscinas infinitas com vista para a selva. Pequenos-almoços servidos dentro de piscinas. Fotografias em baloiços sobre os arrozais. Cafés pensados mais para as câmaras do que para as conversas. Praias inteiras onde se vê o pôr do sol através do ecrã do telemóvel.

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E, ainda assim, a Indonésia continua a ser um dos países mais extraordinários que conheço.

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O problema não é Bali.

É que muitas pessoas nunca chegam a conhecer o que existe para lá da versão de Bali criada para as redes sociais.

A Indonésia é muito maior, mais complexa e mais diversa do que a maioria dos viajantes imagina. São milhares de ilhas, vulcões, culturas ancestrais, rituais antigos, aldeias remotas, selvas, recifes de coral e paisagens que ainda conservam o seu lado selvagem.

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É por essa Indonésia que mais gosto de viajar.

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Uma Indonésia onde a vida continua a seguir o seu próprio ritmo, longe dos cenários feitos para influenciadores e dos clichés dos nómadas digitais.

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Alguns dos meus momentos preferidos no país aconteceram bem longe dos clubes de praia e dos cafés da moda.

Atravessar Flores de carro, por entre montanhas e pequenas aldeias onde as crianças acenam à nossa passagem. Acordar antes do nascer do sol perto do vulcão Kelimutu. Ver os pescadores regressar ao fim da tarde numa pequena vila costeira. Estar sentado no convés de um barco de madeira, algures perto do Parque Nacional de Komodo, sem rede no telemóvel.

A Indonésia torna-se muito mais interessante quando deixamos de procurar a «fotografia perfeita».

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Porque o que torna o país inesquecível não é a perfeição.

É a atmosfera.

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O cheiro dos cigarros de cravinho e da chuva depois do calor tropical. O som das motorizadas misturado com o chamamento para a oração. As conversas sem pressa. As longas travessias de ferry entre ilhas. A sensação de que cada ilha tem uma personalidade própria.

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Java é diferente de Flores.
Flores é diferente de Sumatra.
Sumatra é diferente de Sulawesi.

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Até o tempo parece passar de forma diferente de um lugar para o outro.

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Ao longo dos anos, percebi que a melhor forma de conhecer a Indonésia é devagar. Sem saltar de um lugar popular para o seguinte, deixando espaço para o que acontece pelo caminho.

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O restaurante à beira da estrada onde não há turistas, mas se come extraordinariamente bem.

O guia local que nos faz olhar para um lugar de outra maneira.

A conversa com alguém que nunca teríamos conhecido se tudo tivesse corrido exatamente como planeado.

É isso que fica connosco.

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Claro que Bali continua a ser bonita, sobretudo longe das zonas mais movimentadas e da necessidade constante de mostrar cada momento nas redes sociais. Mas a Indonésia tem muito mais para oferecer quando começamos a olhar para além da versão feita para o Instagram.

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Porque, por detrás dela, continua a existir um país cheio de mistério, hospitalidade e aventura.

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E essa Indonésia continua bem viva.

«Há ainda um país cheio de mistério, hospitalidade e aventura.»

Ricardo

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