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Asia central
Entrada diário 05

Porque continuo a regressar à Ásia Central

H

NOVEMBRO 2025

á lugares que nos impressionam logo à chegada.

Outros vão ganhando espaço na nossa memória com o passar do tempo.

Foi assim comigo e com a Ásia Central.

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Na primeira vez que viajei pelo Quirguistão e pelo Uzbequistão, não conseguia explicar bem porque é que aqueles lugares me tinham marcado tanto. As montanhas eram extraordinárias, as cidades da Rota da Seda belíssimas, a cultura nómada fascinante. Mas havia qualquer coisa mais.

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Uma sensação de espaço e liberdade.

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Sentia-a nas paisagens imensas e nos horizontes a perder de vista, mas também na forma de viajar. Tudo parecia mais direto, menos preparado para agradar aos turistas.

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Ali, ainda me sentia verdadeiramente um viajante.

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Ao atravessar desfiladeiros de montanha no Quirguistão, dormir numa yurt junto a um lago alpino ou ver cavalos desaparecerem num vale imenso, sente-se uma liberdade difícil de descrever.

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E depois, ao fim de vários dias rodeados de natureza, chegamos a lugares como Samarcanda ou Bucara.

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Cidades que estiveram no centro da Rota da Seda.

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Durante séculos, mercadores, viajantes e exploradores percorreram estes caminhos, levando seda, especiarias, ideias e histórias entre o Oriente e o Ocidente. Ainda hoje, há algo de cinematográfico nestas cidades: as cúpulas azuis, os mosaicos, os antigos caravançarais e os pátios escondidos atrás de portas discretas.

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Na Ásia Central, ainda se sente o espírito da viagem e da descoberta.

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Talvez seja por isso que continuo a regressar.

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Viajar por ali recorda-me uma época em que nem todos os lugares tinham sido fotografados de todos os ângulos e explicados ao pormenor na internet.

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Ainda há espaço para a surpresa.

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Estradas onde quase não encontramos outros turistas.


Pequenos restaurantes à beira da estrada onde ninguém fala inglês.


Paisagens de montanha que parecem não ter mudado com o tempo.

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E, talvez acima de tudo, um ritmo de viagem que nos obriga a abrandar.

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As distâncias são longas. As estradas podem trazer imprevistos. Raramente tudo acontece exatamente como planeámos.

Mas isso acaba por fazer parte da beleza da viagem.

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A Ásia Central ensina-nos a ter paciência.

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E, em troca, oferece-nos algo cada vez mais raro: a sensação de ainda estarmos a descobrir o mundo.

«Na Ásia Central, ainda se sente o espírito da viagem e da descoberta.»

Ricardo

Asia central
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